Principais festivais de cultura negra do Brasil compartilham caminhos para mobilizar audiências
Jeft Dias, Rose Sousa, Taiane de Bittencourt, Jaqueline Fernandes e Artur Santoro.
Foto: Webert da Cruz | Festival Latinidades
Festivais se tornam muito mais do que simples eventos quando celebram o encontro entre música, diferentes expressões culturais e território. Ao reunir públicos diversos em torno de uma mesma experiência, criam espaços de reconhecimento, constroem vínculos que atravessam edições e fortalecem um senso de comunidade.
Esse foi o ponto de partida da mesa “Audiências Brasileiras: Cultura Negra, Construção de Público e Propósito”, realizada neste mês durante o Festival Latinidades. O painel reuniu representantes de alguns dos principais festivais e plataformas de cultura negra do país em uma conversa sobre caminhos para a mobilização de audiências
Taiane de Bittencourt, coordenadora de Parcerias do ICCI, mediou a mesa, que contou com Artur Santoro, da Batekoo, Jaqueline Fernandes, do Festival Latinidades, Jeft Dias, do Festival Psica, e Rose Sousa, do Afropunk.
Ao falar sobre a trajetória de cada festival, o grupo compartilhou experiências de construção e manutenção de público ao longo dos anos. A conversa também abordou desafios ligados ao financiamento e à sustentabilidade das iniciativas, além do trabalho estratégico por trás de cada edição. Um processo marcado pela intencionalidade e que passa por pesquisas de opinião, gestão de comunidade e social listening.
Foto: Webert da Cruz | Festival Latinidades
Apesar das diferenças e dos pontos em comum entre os festivais, a mesa reforçou que todos construíram marcas claramente reconhecidas pelo público e mantêm um cuidado constante com suas audiências. Há uma busca contínua por oferecer experiências que valorizem quem participa, gerem reconhecimento e produzam efeitos para além dos dias de programação, deixando marcas também nos territórios.
A conversa mostrou ainda como a valorização da cultura, entendida como uma força capaz de moldar a imaginação coletiva, influenciar o debate público e alcançar milhões de pessoas, permite que esses festivais incorporem temas como a justiça climática às suas narrativas. Ao fazer essa conexão a partir da música, do território e das experiências de seus públicos, essas plataformas ajudam a trazer o debate climático para mais perto da vida cotidiana.

