Segunda edição da Caatinga Climate Week reúne vozes para ampliar a presença da Caatinga no debate climático
Sessão: Sementes crioulas: agrobiodiversidade e soberania alimentar.
Foto: Thalys, The Creator | Caatinga Climate Week
No coração do Semiárido está a Caatinga, o único bioma exclusivamente brasileiro. Estratégica para o equilíbrio climático do planeta, a Caatinga convive com desafios históricos envolvendo, por exemplo, a escassez hídrica e os impactos cada vez maiores da emergência climática. Mas o bioma não pode ser compreendido apenas pelos desafios que enfrenta: ele também é um território de respostas.
Ao longo de gerações, povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares desenvolveram conhecimentos, tecnologias sociais e modos de vida capazes de promover a adaptação climática e formas únicas de se relacionar e preservar esse bioma.
Foi com esse olhar que, entre os dias 1º e 3 de julho, aconteceu a segunda edição da Caatinga Climate Week, que reuniu comunidades, pesquisadores, gestores públicos, organizações da sociedade civil e movimentos sociais para compartilhar saberes e unir esforços a fim de ampliar a visibilidade da Caatinga e colocá-la no centro do debate climático.
Realizada pelo Centro de Desenvolvimento Agroecológico Sabiá (Centro Sabiá) e pelo Instituto Socioambiental (ISA), a Caatinga Climate Week foi estruturada a partir de uma programação que, mais do que discutir os impactos da emergência climática, deu espaço para ouvir soluções construídas a partir dos saberes locais.
Sessão: Territórios quilombolas e resiliência climática: ancestralidade e agroecologia no Agreste pernambucano.
Foto: Berna | Caatinga Climate Week
Participante da primeira edição e agora apoiador da segunda, o ICCI viajou para Pernambuco inspirado pela visão de que as populações desses territórios já têm desenvolvido ferramentas de adaptação e mitigação dos impactos das mudanças climáticas.
Essa percepção contrasta com a visão historicamente construída de que a Caatinga é um território marcado pela pobreza e pelas dificuldades. Nesse sentido, a Caatinga Climate Week representa uma oportunidade de reposicionar esse imaginário e construir novas narrativas sobre as populações e os territórios.
Ao longo da programação, a equipe do ICCI participou de visitas de campo a diferentes projetos no estado de Pernambuco para conhecer realidades e soluções que as populações têm desenvolvido para conviver com as desigualdades e promover construções coletivas.
A programação também contou com debates sobre comunicação e clima. Mathaus Torres, coordenador programático do ICCI, participou do painel "Reescrever a Caatinga: comunicação, clima e identidade", ao lado de Octávio Santiago, escritor, pesquisador, doutor pela Universidade do Minho e autor do livro “Só sei que foi assim”; Kamila Camilo, fundadora do Instituto Oyá e da iniciativa Creators Academy; e Sandra Raquew, professora da Universidade Federal da Paraíba, doutora em Sociologia e autora de diversos livros, entre eles “Comunicação no semiárido brasileiro”.
Painel Reescrever a Caatinga.
Foto: DOMAR | Caatinga Climate Week
A conversa trouxe reflexões sobre a disputa de imaginários em torno do bioma e a importância de ampliar a diversidade de interlocutores e comunicadores, além de dar mais visibilidade à Caatinga no debate público.
Durante décadas, o Semiárido foi narrado principalmente pela escassez. O painel discutiu como superar esse estereótipo por meio de uma comunicação protagonizada pelos próprios povos da Caatinga, alinhada aos desafios climáticos e ao reconhecimento do território como produtor de conhecimento e de soluções.
Outro tema abordado foi a importância de compreender diferentes audiências para orientar esforços mais convergentes no campo socioambiental e fortalecer estratégias de comunicação mais efetivas.
Para conhecer mais sobre a Caatinga Climate Week e conferir os principais debates e atividades que marcaram esta edição, acesse o site oficial do evento.

