Estratégias multimídia da DiaTV inspiram debate sobre juventude e cultura digital em evento do ICCI
Como falar com uma geração que vive conectada, mas com a atenção fragmentada entre múltiplas telas, formatos e plataformas? Essa foi uma das questões levantadas durante a participação de Felipe Alfieri, diretor de conteúdo e programação da DiaTV, no evento “Audiências Brasileiras”, realizado pelo ICCI no Rio de Janeiro.
No painel “O que se Fala, O que se Escuta: Juventude e Cultura Digital”, mediado pelo coordenador programático Jackson Augusto, Felipe compartilhou reflexões sobre comportamento digital, consumo de conteúdo e os desafios de produzir programação para a Gen Z no Brasil.
Com um público predominantemente formado por pessoas LGBTQIA+, jovens e mulheres, a DiaTV se consolidou como uma referência em entender como os interesses da juventude influenciam o consumo de conteúdo. A emissora distribui programação gratuita 24 horas por dia no YouTube, em canais de fast channel e em plataformas gratuitas de streaming disponíveis em smart TVs.
Segundo Felipe, entender a juventude exige ir além das métricas tradicionais de audiência. Embora a Gen Z represente uma parcela significativa do público da emissora, ela também desafia modelos convencionais de programação e retenção de atenção.
“É a geração mais difícil de entender, porque ela é muito extensa e tem divisões entre pessoas que viveram offline e pessoas nativas digitais. A grande questão é entender como capturar e manter a atenção de pessoas que estão fragmentadas e em todos os lugares. Para a DiaTV, estratégias multimídia são essenciais.”
Durante a conversa, Felipe também respondeu perguntas da plateia sobre gênero, comportamento e progressismo. Ele explicou que a construção dos programas da DiaTV considera diferenças de consumo entre públicos distintos, incluindo a percepção de que mulheres jovens tendem a demonstrar posicionamentos mais progressistas do que homens da mesma faixa etária.
Esse entendimento sobre diferentes públicos influencia diretamente a criação de formatos capazes de inserir debates sobre democracia e justiça social em conteúdos leves e facilmente identificáveis no cotidiano das pessoas. Um dos exemplos citados foi o programa “Pra Variar”, atração ao vivo voltada para cultura, comportamento e bem-estar que incorpora elementos jornalísticos sem reproduzir a rigidez tradicional dos telejornais, frequentemente percebida como distante por parte do público jovem.
Felipe também destacou a diversidade da audiência e da própria equipe da emissora. Jovens negros, periféricos, LGBTQIA+, universitários, pessoas ligadas à cultura, às igrejas e aos terreiros fazem parte dos diferentes grupos que acompanham a programação da DiaTV. Na frente das câmeras, a emissora reúne nomes como Lorelay Fox, Edu Camargo e Fih Oliveira, do Diva Depressão, Bárbara Bielo, Felipe Goldenboy, Luan Iaconis, Foquinha, Tatá & Olive, do Dragbox, além de nomes já conhecidos da televisão tradicional, como Mônica Martelli.
Ao longo do painel, Felipe também destacou exemplos de comunicação estratégica conduzidos pelos apresentadores da emissora para aproximar a audiência de temas mais complexos. Para ele, entender as diferenças entre públicos e traduzir dados sobre comportamento e valores da juventude em formatos acessíveis é parte fundamental de qualquer estratégia que queira ampliar conversas sobre agendas como clima, democracia e justiça. Nesse contexto, ele contou que a DiaTV terá, pela primeira vez, um correspondente baseado em Brasília para cobrir política e aproximar discussões sobre o tema de uma audiência acostumada a consumir conteúdos de cultura pop, comportamento e entretenimento.
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Fotos por: Pyetra Salles