Emicida fala sobre cultura e mobilização popular em evento do ICCI

Convidado de uma das mesas, Emicida conversou sobre o papel da cultura e da mobilização popular na construção de poder. Com mediação de Jheniffer Ribeiro, do ICCI, a conversa realizada em 09 de fevereiro de 2026, no Rio de Janeiro, abordou a cultura como força política e social capaz de sustentar modos de vida e ampliar o pertencimento e a participação democrática.

Emicida defendeu que, neste momento, não há lugar melhor do que o Brasil para fazer ferver ideias com potencial para solucionar problemas, e que essa força está nas pessoas. “A gente pode fazer isso olhando para todas as tragédias que ‘nóis’ já produziu, mas conscientes de todas as belezas que podemos fazer, sendo que várias dessas belezas somos nós mesmos”. Ao ressaltar que a criatividade tem potencial para transformar a sociedade, afirmou: “A nossa inspiração vai ser cada vez mais importante, porque é algo que a I.A. não alcança.”

Ao falar sobre o papel da filantropia e das organizações da sociedade civil no fortalecimento das agendas da cultura no Brasil, o artista destacou a importância do diálogo entre diferentes setores. “A gente precisa unir os nossos conhecimentos para produzir o amanhã que a gente deseja. Preciso apresentar vários amigos meus para vários amigos de vocês. Chegou o momento de virarmos essa mesa. Quando as desigualdades diminuem, a sociedade melhora”.

Emicida destacou ainda o potencial do hip hop como ferramenta de inteligência coletiva e transformação social. “O hip hop tem 50 anos no planeta, é cultura jovem e explorada de um jeito muito superficial. Ele oferece muitas possibilidades, especialmente no Brasil, por causa das inteligências sociais que desenvolvemos aqui para superar traumas e confrontar desigualdades”.

Para o artista, o compromisso de superar a desigualdade precisa ser coletivo, e histórias como a dele ajudam a ilustrar esse caminho. “Eu vim da favela e hoje tem todo um capital que se desenrola através de mim”, afirmou, avaliando que é importante produzir progresso, mas melhor ainda é conseguir distribuí-lo. “A minha geração pode ser uma das últimas que entende realmente o valor de um sonho. Por isso, precisamos sincronizar as nossas inteligências para reduzir as desigualdades.” 

Nesse debate, a cultura aparece como elemento capaz de encurtar distâncias e mobilizar pessoas. Por mais importantes que os números sejam, é fundamental que a gente se comprometa com as ideias e, para isso, não vejo nada melhor do que, enquanto profissionais, trocarmos mais ideias”, afirmou, destacando que tem estudado formas de estruturar esse diálogo em projetos. “Essa aproximação com a filantropia exige bagunçar as barreiras que ainda existem.”

Ao refletir sobre o Brasil que esses diferentes lados precisam construir coletivamente, o artista avaliou que o país oferece desafios, mas também estímulos para a construção de uma realidade mais equitativa. “Eu acredito que ser brasileiro é ser, naturalmente, contraditório, mas a gente pode melhorar muito a qualidade das nossas contradições. Estamos em 2026 e eu não posso ser o único em algum espaço. A gente precisa se orgulhar de vencer, de falar sobre as nossas origens. Precisamos estar em mais espaços como esse.

Fotos por: Pyetra Salles

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